sexta-feira, 17 de junho de 2011

1 ano sem José Saramago, uma homenagem


"Quem sabe, somos todos os outros."


É com muito pesar que afirmo que Saramago há um ano não está mais entre nós, não nos pode mais iluminar com suas palavras tão sábias. Mas é com muita alegria que também afirmo que Saramago deixou sua marca...sua existência não foi em vão.

Como está no site da Fundação Saramago:

"O primeiro ano sem Saramago começou às 11:30 do dia 18 de Junho de 2010, quando os médicos Gracia Lanzas e Domingo Guzmán se olharem e ela, após um leve assentimento do companheiro, pronunciou as palavras que ninguém na casa queria ouvir: "Hora da morte 11:30". Aí começou a vida sem Saramago, embora Saramago continuasse a ser o centro de todos os passos, de todas as palavras e de todos os abraços, o centro do mundo para aqueles que já nada podiam fazer, nem acrescentar uma palavra, nem mostrar o sorriso que ficou adiado, nem sentir o apertar de mãos, gesto impossível, Saramago havia morrido, e essa palavra - morte - é definitiva."

E mais:

"Um ano já sem Saramago. Como é possível, perguntar-se-ão alguns, se continua a publicar livros, se está nas conversas dos analistas políticos, se os jovens saem às ruas com as suas frases escritas em cartazes ou em t-shirts, se há concertos de rock onde o aplaudem ou se organizam outros de música erudita em seu nome? Que estranha ausência é essa?Mas é estranha apenas para quem não compreendera o espírito transgressor de José Saramago, homem tímido e retraído que no entanto, era audaz nas suas abordagens vitais, literárias ou intelectuais, destemido até, que nunca abaixo a cabeça, que sempre seguiu o seu caminho sem se preocupar com costumes ou modas, sem medir as consequências dos seus atos desde que estes não afetassem terceiros porque o respeito pelo outro, tratando-se de Saramago, era um dado adquirido. Sim, era um transgressor de todas as normas e convenções, por isso seu funeral seria diferente, porque diferente foi sua vida." (Um ano sem Saramago; Texto de Pilar del Río)

Após estas magníficas palavras de Pilar fica difícil falar sobre Saramago...

Pessoalmente, ele me é um exemplo de vida. Um mestre que ilumina caminhos, que ajuda a questionar o sistema, os dogmas, as verdades absolutas.

Como costumava dizer: "Penso que não existe verdade definitiva, como algo que está ali e que é imutável."

Perseguido por muitos, criticado por muitos, principalmente pelos fanático-religiosos e liberais.

Uma das suas respostas para o Vaticano, p.e., foi: "Eles deviam se concentrar nas suas orações e deixar as pessoas em paz."

E também: "Os crentes eu respeito muitíssimo, mas pela instituição que os representa não tenho nenhum respeito. Respeito a crença, a fé, mas a administração da crença, da fé, eu não respeito."

"A história de uma religião é sempre uma história de sofrimento que se inflige, que se autoinflige ou que se inflige aos seguidores de outra e qualquer religião."

Já em relação a política, dizia com maestria:

"Não sou um escritor comunista, o que sou é um comunista escritor, o que é diferente."

"Não é uma utopia. O comunismo é uma possibilidade."

" O socialismo não faz os socialistas, são os socialistas que fazem o socialismo."

E a frase que se vê em cartazes na Europa: "Marx nunca teve tanta razão como hoje."

Comunista de carteirinha, desde adolescente, viu a pobreza de perto:

"Se eu pudesse repetir minha infância, a repetiria exatamente como foi, com a pobreza, com o frio, pouca comida, com as moscas e os porcos, tudo aquilo."

"O homem mais sábio que conheci em minha vida não sabia ler nem escrever" [dizia isso se referindo ao avô.]

Grande homem! Seguimos seu exemplo, seus ensinamentos...Lembrando de suas palavras, de suas histórias, de seus livros, de seus pensamentos...e assim continuamos na luta por um mundo renovado.

SARAMAGO VIVE!


"Sei que, quando minha hora chegar, entrarei no nada, me dissolverei em átomos. Pronto. E, um dia, tudo terminará: a Terra, a galáxia, o sistema solar...E não haverá nenhum deus que nos diga "Mas onde estão todos aqueles seres que eu havia criado com tanto amor?". Destinamos tempo de mais a conjecturar o que há além da vida, e tempo de menos a nos indagar sobre o que está acontecendo na vida mesma."


2 comentários:

Luíza M. disse...

Estava pesquisando uma frase do Saramago e cheguei até seu blog. Eu sinto todos os dias a falta do Saramago. Falta a sua opinião sobre Obama, sobre o que andou acontecendo na Espanha, enfim...
O que não falta é admiração. Bom saber que tem mais gente que compartilha isso :)

.Luks disse...

Luíza, me conforta muito saber que posso compartilhar contigo o vazio que é a morte de Saramago!

Obrigado pela visita!